Todos os dias
meu celular desperta às seis horas da manhã, todos os dias
eu acordo e reajusto para às seis e meia, todos os dias ele
desperta às
seis e meia e eu troco para às seis e quarenta. Todos os dias pulo
da
cama às seis e quarenta ligo a chapinha e coloco meu uniforme,
primeiro
a calça, depois a blusa e o casaco. Vestida, começo o ritual
da
maquiagem, primeiro o lápis marrom na sobrancelha (que a cada dia
está
perdendo mais fios), passo o panqueique e em seguida um pouco de
blush,
delineador e lápis nos olhos. Por fim, arrumo o cabelo e saio às
sete e
vinte e oito de casa. Quando bato o cadeado do portão enxergo o
ônibus
integração passando na esquina. Chego na esquina e dobro para ir
em
direção à parada, dou uma olhada na minha imagem refletida em um
vidro
de caixa de luz, consigo avistar o velho senhor esperando o mesmo
ônibus
que eu com o mesmo blusão azul escuro todos os dias (ufa, isso
quer
dizer que não perdi o ônibus). No ônibus, sento o mais próximo
possível
da moça que desce quatro paradas após eu subir, assim garantindo
que
metade do caminho poderei ir sentada. Desço e encaro mais um dia
no
trabalho como todos os outros.
Em alguns
dias tenho aula, em outros não, mas os dias transcorrem
aparentemente iguais. Hoje minha irmã me dá a notícia de que a
prima de
dezessete anos está grávida de gêmeos, paro um instante e penso,
tantos
amigos, tantos parentes, casando, tendo filhos, se mudando, parece
que
tudo muda na vida de todos e para mim é como se o tempo não
passasse. À
noite deito, como todos os dias vou ler, leio até o sono chegar,
coloco
o despertador para às seis horas da manhã com intenção de levantar
e
quem sabe poder tomar um banho. Todos os dias o celular desperta às
seis
horas da manhã...
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