2° LUGAR EM CONCURSO LITERÁRIO  (dicas de leitura) escrito em quinta 03 dezembro 2009 15:00

Peço desculpa por estar um pouco afastada do blog.

Bom, para atualizar estou trazendo um conto que inscrevi em um concurso literário do meu curso de letras do Unilasalle.

Acima estou recebendo a premiação de segundo lugar.

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Caso queiram ler os outros textos vencedores e ver mais algumas fotos do evento, aqui vai o linck:

http://www.unilasalle.edu.br/canoas/pagina.php?id=2059

 

A furna encantada

          Dizem os antigos que, há muito tempo atrás, andava Bento Emelino a galopar seu crioulo em meio às terras do Jarau. Isso era mania do gaudério, sentir o vento atropelar sua fronte, donde provava a si mesmo a liberdade de se guiar um cavalo e seus arreios por entre os campos da estância. Quando ficava solito com seu animal, tinha certeza de que era livre.
          Pois bem, antes mesmo de Emelino nascer, contavam histórias a respeito de tais terras, coisa de gente do campo, mania de se juntar frente a uma fogueira ou no galpão e contar causos ouvidos por outros, donde se espalhavam  de gente em gente, cada vez ganhando mais mistério. Era Emelino homem de prosear com todos, portanto, também já havia conhecido o causo que hei de retratar ao meu caro ginete que está a me acompanhar nesta curta prosa.
          "Eu sei uma, não é aquela do monstro Labatut? Todas as noites percorre as cidades, para saciar a fome, porque ele vive eternamente esfaimado. Anda descalço, os pés são redondos, as mãos cumpridas, os cabelos longos e assanhados, corpo cabeludo, só tem um olho na testa e os dentes são como as presas do elefante.
          Ele gosta muito mais de guris, porque são menos duros que os velhos! Ao sair da lua, entra pelas ruas num trote, pairando às portas para ouvir quem fala alto e devorar."
          Para com isso, piá, o que dizes é lenda do Ceará, coisa que inventada pra botar medo em piá atrevido.
        ... Foi Maria quem contou à sobrinha de sua comadre, o acontecido com o rapaz que vira de relance algumas vezes, passando a cavalo pelos campos. A sobrinha, ao chegar em casa, teve de comentar o causo com o esposo e mais alguns peões que o acompanhavam no churrasco, um desses, quando participava de uma prosa com gente da campanha em volta da fogueira citou o tal acontecido, mas aí já não se sabia de onde havia começado, o que se sabia é que esta história ainda tinha muito o que rodar.
          Nesse digo não digo hei de começar. Era fato dito por todos como real que há muito tempo um sacristão, no Povo de Santo Tomé, ao ir beber água deparou-se com a própria Teiniaguá, também conhecida por muitos como princesa moura.
          "Água! Então essa não é aquela história de um tal  boto que, ao anoitecer, virava homem pra enrabichar e emprenhar as gurias?"
          Boto? O que lhe digo é lenda do rincão, se existiu tal boto foi lá pros lados do Amazonas. Sedutor e fecundador, conta-se que o boto sente o odor feminino a grandes distâncias, virando as canoas em que viajam as prendas. Isso sempre à noite, e para evitar o bichano, deve-se esfregar alho na canoa, nos portos e nos lugares que ele goste de parar.
          Voltando à Teiniaguá, diziam essa ter parte com o Diabo. O sacristão, ao se enrabichar pela bichana acabou condenado, sendo salvo por sua chinoca. Procuraram um lugar afastado onde os dois enamorados pudessem viver em paz. Assim, foram parar no Cerro do Jarau, no Quaraí, onde descobriram uma caverna muito funda e comprida. E lá foram morar, os dois.
          "Caverna! Conheço uma história com caverna. Ou era gruta? A guria chorava de amor e de tantas lágrimas criava uma fonte."
          Gruta dos amores, não, não é este o causo. Essa tal gruta é coisa da Ilha de Paquetá. No Cerro do Jarau era uma furna, uma caverna na rocha.
          Emelino soubera o que acontecera com Blau Nunes, o gaúcho que atravessara o pampa rio-grandense vivendo a terra gaudéria em prosa, sobre as sete provas que realizara e o presente ganho. Mas era tranquilo como capincho em taipa de açude e parado que nem água de poço. Foi-se embora desbravar os pampas, lá pela região do cerro.
            A La pucha tchê! O que se sucedeu, então, foi que Emelino encontrou com a tal moura, não se sabe bem se a mesma, ou quem sabe outra, mas o fato mesmo é que o gaudério que, desde piazito, pensava que era feio e rejeitado, depois de ajudar a Teiniaguá, foi surpreendido por uma oferta, a bichana realizaria seu pedido.
          Então foi que Emelino não pensou duas vezes, desembuchou de vez que queria ser guapo, cuiúdo, macanudo e fazer sucesso com as raparigas. Teiniaguá mais do que na hora lançou nele seu poder. Lá se foi Emelino nos trinques desfrutar seu presente. Se em cavalo dado não se olha os dentes, quem dirá em pelagem nova e sucesso garantido. Tinha lá seus dezessete anos ainda, mas desde então, fez sucesso com as chinocas. Todas comentavam sua formosura e ninguém questionava de onde saíra.
          Manuela o conhecia de piazito, assustou-se com a mudança, isso era visto e lamentou não ter se antecipado. Acontece que, na infância, Emelino gostava da tal Manuella, mas sendo ela mais velha, não tencionava gostar dele, só que Emelino sempre foi buenacho e baita prosador, disso Manuella sempre gostou. No entanto muito judiou do coitado, enquanto piá. Deus não mata mas castiga e, antes que  Manuela se desse por conta, estava enamorada dele, entretanto Emelino já havia tropeçado na moura e se transformado. Nada manuella podia fazer para provar que não era a beleza do gaudério que a deixou interessada, nada para ele provaria que, mesmo sem a transformação, ela pudesse sentir um cambicho por ele. Nem ela mesma podia ter esta certeza.
          O vivente era um tanto xucro e não se domava muito fácil, se envolveu um pouco com Manuella, mas nada que o prendesse. Sempre rodeado de chinocas, todas guapas a xereteá-lo, era bagual e a pobre tinha mais que se contentar que, mesmo com tantas, ele ainda lhe mantinha algum apreço. Mas a rapariga não se conformava, desde piazito, ele admirava sua formosura, nada era mais justo do que pertencer ao gaúcho.
          - Se na furna, Emelino encontrou ajuda, por supuesto, irei achar.
          Enfezada com a Teiniaguá, montou em seu cavalo, cravou-lhe a espora e troteou para o lado do Cerro do Jarau, seguindo a trilha que muitas patas de cavalo já haviam seguido há gerações. Tentando ir ao encontro do auxílio que tencionava receber. procurando também ela fazer um acordo com a bichana. "Fostes das moças a mais corajosa, prenda formosa que em minha furna adentra. Minha história terás de ouvir, para em seguida meu coração te abrir. Vejo em ti o que jamais encontrei. Buscas amparo e eu te darei."
          Foi Rosália quem contou à prima de seu esposo, o acontecido com a guria que vira de relance, algumas vezes, passando a cavalo pelos campos. A prima, ao chegar em casa, teve de comentar o causo com o esposo, que, no dia seguinte, contou aos peões.
          Dizia a história que Manuella fora vista adentrando a furna do Cerro do jarau, cerro cheio de histórias e mistérios. o que procurava, não se sabe, mas manuella era moça formosa que jamais havia namorado, quem sabe, a busca que fazia era pelo socorro da princesa moura, tentando arranjar marido. No interior, as prendas não se importam com outra coisa a não ser o casamento. Mas se era esse o seu pedido ninguém sabe, o que se sabe é que depois que saiu de lá, percorreu o rincão a galope, solita, a la cria, sem jamais criar raízes em nenhuma estância. O que ouvi dizer é que depois que voltou muitos haviam sentido sua falta. Parece que por fim se casou, ou não? Já não recordo detalhes. O que sei é que dizem que a furna é encantada...
                                                                                               Anelise Espíndola

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ROTINA  (poemas) escrito em sexta 25 setembro 2009 21:30

Todos os dias meu celular desperta às seis horas da manhã, todos os dias
eu acordo e reajusto para às seis e meia, todos os dias ele desperta às
seis e meia e eu troco para às seis e quarenta. Todos os dias pulo da
cama às seis e quarenta ligo a chapinha e coloco meu uniforme, primeiro
a calça, depois a blusa e o casaco. Vestida, começo o ritual da
maquiagem, primeiro o lápis marrom na sobrancelha (que a cada dia está
perdendo mais fios), passo o panqueique e em seguida um pouco de blush,
delineador e lápis nos olhos. Por fim, arrumo o cabelo e saio às sete e
vinte e oito de casa. Quando bato o cadeado do portão enxergo o ônibus
integração passando na esquina. Chego na esquina e dobro para ir em
direção à parada, dou uma olhada na minha imagem refletida em um vidro
de caixa de luz, consigo avistar o velho senhor esperando o mesmo ônibus
que eu com o mesmo blusão azul escuro todos os dias (ufa, isso quer
dizer que não perdi o ônibus). No ônibus, sento o mais próximo possível
da moça que desce quatro paradas após eu subir, assim garantindo que
metade do caminho poderei ir sentada. Desço e encaro mais um dia no
trabalho como todos os outros.

Em alguns dias tenho aula, em outros não, mas os dias transcorrem
aparentemente iguais. Hoje minha irmã me dá a notícia de que a prima de
dezessete anos está grávida de gêmeos, paro um instante e penso, tantos
amigos, tantos parentes, casando, tendo filhos, se mudando, parece que
tudo muda na vida de todos e para mim é como se o tempo não passasse. À
noite deito, como todos os dias vou ler, leio até o sono chegar, coloco
o despertador para às seis horas da manhã com intenção de levantar e
quem sabe poder tomar um banho. Todos os dias o celular desperta às seis
horas da manhã...

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A FUGA DA REALIDADE  (crônicas) escrito em quinta 17 setembro 2009 18:36

 

Cultivar o hábito da leitura não é uma prática de muitos. Infelizmente as famílias não têm o costume de estimular a leitura entre as crianças, ou melhor, nem todas. Ainda há uma esperança entre aqueles que procuram incentivar essa prática, mas o que vinha faltando era a divulgação da ficção. Como uma leitora assídua desde a 1ª série, onde me divertia com os clássicos contados em livros ao quais podíamos ver os personagens feitos por bonecos de massinha de modelar, tento de várias formas desenvolver esse hábito em meus irmãos. Não precisei que minha família me estimulasse, bastou conhecer o mundo das letras para descobrir o meu lugar, pois para mim o fato de ver alguém lendo não era estranho, como muitas vezes pode parecer para as crianças de hoje em dia, por que mesmo que minha mãe jamais me incentivasse eu estava familiarizada em vê-la lendo coleções do tipo Sabrina. O que vinha me intrigando há algum tempo era o fato de que os livros de ficção já não eram vendidos, o mercado da ficção estava decaindo de forma arrasadora, os únicos livros que eram efetivamente vendidos eram os livros de auto-ajuda, auto-biográficos, somente fatos reais. Era como se os leitores não quisessem mais se abrir ao mundo da ficção, não quisessem mais sonhar com coisas impossíveis, fugir da realidade do seu dia-a-dia, isso realmente estava me apavorando.

Entretanto, quando pensei já não existirem maneiras de se reverter este quadro, heis que surge uma enorme luz no fim do túnel e os leitores estavam novamente receptivos a criatividade e ao encantamento das maravilhosas histórias envolvendo mundos irreais, mas extremamente cativantes. Foi J. K. Rowling com o seu pequeno bruxo Harry Potter, quem nos apresentou a fascinante trama entre bruxos, trouxas, trevas, dementadores, conquistando o seu lugar entre os leitores e sucessivamente os telespectadores, com uma saga que até hoje ocupa as telas do cinema. Levadas também para as telonas, As crônicas de Nárnia passaram a ser reeditadas com frequência e C. S. Lewis voltou a estar presente em uma nova geração, fazendo parte da infância possivelmente dos filhos daqueles que já haviam conhecido as histórias vividas por crianças ao lado do queridíssimo leão Aslam na fantástica Nárnia. Outra saga escrita há muito tempo atrás e que voltou com grande sucesso foi a de J. R. R. Tolkien, a fascinante história envolvendo o anel dividida entre três livros também foi gravada em três longas-metragens com enorme sucesso de bilheteria. Ao que parece a ficção voltou a encantar o público que já não se preocupa apenas com o que é real e está disposto a se deliciar com histórias improváveis de acontecer na vida real.

Por fim, a grande prova de que a ficção está novamente em alta é Stephenie Meyer com os livros Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer, um romance envolvendo vampiros, dividido em quatro partes, todos presentes nas listas de livros mais vendidos de 2009, foram lançados no Brasil pouco antes de suas gravações em filme, o que tornou a divulgação muito maior, fazendo com que os telespectadores não resistissem a espera pelos filmes e decidissem ler os livros para matar a curiosidade, um fator apelativo que trouxe grandes resultados, outro fator no meu ponto de vista seria a idéia de colocar no fim de cada um dos livros o primeiro capítulo da sequência. Digo isto pois provei do veneno, comprei os três primeiros livros e os li em um tempo teoricamente rápido, então quando acabei o terceiro li o primeiro capítulo do quarto, mas ainda não havia comprado. Como o último livro ainda era lançamento estava custando caro e eu não estava disposta a pagar tanto, iria esperar um tempo até baixar, era o que pretendia. Minha curiosidade falou mais alto e em menos de dois dias após ter terminado o terceiro eu estava dentro da livraria mais cara pagando $50 por um livro, apenas por curiosidade e prazer em poder lê-lo.

Novamente acredito no poder da ficção, novamente acredito que ainda temos possibilidade de prender leitores, talvez o que precisemos seja rever os métodos que usamos para isto.

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EM MEMÓRIA:  (poemas) escrito em sexta 21 agosto 2009 16:12

 

Era nosso melhor amigo para qualquer hora. Com ele podíamos ir ao encontro de nossas paixões.

Presenciou momentos inesquecíveis, alegrias e tristezas, sempre lá, firme e forte.

Quando vejo minha vida passar como um fleche, ele sempre vem à minha cabeça. Era o melhor companheiro nas horas de travessuras e quantos momentos foram possíveis graças à sua presença. Hoje ao passar pelo lugar onde ficava, sinto um aperto no peito. Saber que nada é como era, que nem mesmo sua presença resolveria meus problemas agora.

Para quem passa naquela rua, nada mais resta a não ser um pequeno buraco no chão. Mas comigo resta as grandes lembranças que ficaram daquele simples orelhão.

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DIA DOS PAIS  (crônicas) escrito em quarta 12 agosto 2009 14:13

 

Neste último domingo que passou, recebi algo que há algum tempo não costumava receber. O que melhor para se ganhar no dia dos pais do que um colo de pai? Aquele colo sem igual, um colo cheio de amor e carinho. Mesmo com meus vinte e dois anos ainda me sinto uma menina quando sento no colo do meu pai, quando ele me abraça forte e diz que não existe no mundo um amor mais forte do que o que ele sente por mim e por meus irmãos.

Então como não me orgulhar desse home? Como não querer a cada dia me tornar alguém melhor para que ele possa também sentir orgulho de mim.

Pai!

Agora te sinto distante,

mas nem assim te esqueço.

Em tudo o que conquisto

é sempre em ti que penso.

Aquele que me ensinou

a buscar meu espaço no mundo,

que sempre me apoiou,

me olhou bem lá no fundo.

Jamais me deixou cair,

só me incentivou a subir.

Um dia vou demonstrar

toda a minha gratidão,

vou poder ajudar,

vou estender-lhe a mão.

Erros são humanos,

pais também,

mas nunca vou lhe trocar

nesse mundo por ninguém.

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